sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Fábrica de contos


A postagem de hoje é uma sugestão para produção de textos que pode ser realizada oralmente por aquelas crianças que ainda não dominaram totalmente a escrita, ou ainda em duplas ou até pequenos grupos.

São oferecidos para as crianças envelopes com elementos que compõem uma história  e as elas deverão sortear estes elementos que precisarão ser contemplados em suas narrativas.



EXTRAÍDO DO LIVRO: 


Práticas Pedagógicas Em Alfabetização - Espaço, Tempo e Corporeidade


Piccoli, Luciana; Camini, Patrí­cia


Editora: EDELBRA

Sobre o livro:
O livro discute a alfabetização na escola contemporânea, considerando as variadas culturas escritas pelas quais as crianças transitam. Sugere práticas pedagógicas que possibilitam aliar oralidade, leitura e escrita à compreensão das estruturas linguísticas e às funções sociais da língua para ensinar a ler e produzir diferentes gêneros textuais.




PROPOSTA DO LIVRO:

"EM CAIXINHAS, DISPOR ELEMENTOS QUE POSSAM COMPOR UMA NARRATIVA FANTÁSTICA, DE FORMA A AJUDAR OS ALUNOS A OBTEREM UMA NARRATIVA INUSITADA QUE APOIE SUAS ESCRITAS INICIAIS. 

UM POR VEZ, OS ALUNOS SORTEIAM ELEMENTOS DAS CAIXINHAS. 
OUTRA POSSIBILIDADE É BUSCAR, ENTRE AS ALTERNATIVAS DE CADA CAIXA OS ELEMENTOS QUE COMPORIAM UMA NARRATIVA MAIS COERENTE.
 NO LUGAR DAS CAIXINHAS, A PROFESSORA PODE ORGANIZAR UM MURAL PARA A FÁBRICA DE CONTOS, COM ENVELOPES E BOLSINHOS."














MONTE VOCÊ TAMBÉM SUA FÁBRICA DE CONTOS!












terça-feira, 22 de dezembro de 2015

ESCRITA DE TEXTOS DE MEMÓRIA




7 perguntas sobre textos memorizados na alfabetização

Respostas às dúvidas mais comuns sobre como e por que usar textos que as crianças sabem de cor no ensino da leitura e da escrita

Interpretações equivocadas sobre o uso de parlendas, cantigas de roda e outros textos que as crianças sabem de cor na alfabetização ainda são comuns. Para responder às sete dúvidas mais frequentes sobre o assunto, NOVA ESCOLA consultou a bibliografia disponível sobre o tema e a especialista em alfabetização Telma Weisz.

1 Por que propor atividades de leitura e de escrita?
"Elas mobilizam saberes distintos e consequentemente ensinam coisas diferentes", explica Telma. Para ler textos que sabem de cor, as crianças têm de fazer a correspondência entre as partes do texto que já sabem com os trechos escritos, descobrindo a relação entre fonema e grafia, conhecendo letras novas e como se dá a segmentação das frases em pedaços menores e independentes, as palavras. Já na situação de escrita, precisam colocar em cena o nível do conhecimento do sistema alfabético e o que já sabem a respeito da escrita convencional. Com baese em tudo isso, fica claro que ambas devem ser realizadas em sala e que uma não é pré-requisito para outra.

2 Quais textos memorizados devo usar para alfabetizar?
Qualquer cantiga de roda, parlenda ou adivinha que os alunos apreciem. O importante é que todos eles saibam o conteúdo de cor e mentalmente. O que define a complexidade da atividade são as particularidades do material e as interações do educador, responsável por criar boas situações de aprendizagem.

3 É interessante propor que escrevam em quartetos?
Não. O processo de interação entre as crianças é muito importante e, quando se trabalha com muita gente reunida, ele não é satisfatório. Escrever a oito mãos é difícil até para os adultos. É melhor organizar duplas, levando em conta as hipóteses de escrita (pré-silábica, silábica, silábico-alfabética e alfabética) para que o trabalho seja realmente produtivo.

4 Na leitura, o que precisa ser problematizado?
Encontrar partes da totalidade ou do verso levando em conta o que os alunos já sabem. Não se trata de caça-palavras, mas de uma situação que faz o grupo enfrentar desafios a respeito da relação entre parte e todo. Por exemplo, perguntar onde está escrito domingo em "Hoje é domingo,/ pede cachimbo". Para responder, as crianças têm de fazer corresponder o falado com cada pedaço escrito. Quer dizer, precisam localizar o verso e depois o que foi perguntado. Têm de pensar como dividir o que falam para que encontrem a palavra no exato lugar em que ela está.

5 E na de escrita? Quais são os desafios?
As crianças, para escrever, precisam pensar quais e quantas letras usar e em que ordem colocá-las. Em fase de alfabetização, não é óbvio que tudo o que se fala possa ser escrito na ordem em que é dito. Outros pontos interessantes para explorar com eles são a escrita de artigos, monossílabos e palavras curtas, já que isso vai contra a ideia que os alunos têm que para escrever são necessárias no mínimo três letras.

6 A lista de nomes da turma pode servir de apoio?
Para atividades que tenham como foco a leitura, não. "Lê-se para escrever, mas não para ler", diz Telma. Para localizar fragmentos do texto, os alunos precisam pensar em como vão partir do falado para tal, o que vão considerar como um pedaço para achar todos os pedaços. Não é necessário buscar pistas fora do material: o problema é descobrir onde está escrito, não o que está escrito. Para desafios que envolvem a escrita, sim: pesquisar em fontes externas o jeito certo de escrever o fragmento que se quer é útil. Para escrever "cachorrinho está latindo", se as crianças recorrem à lista de nomes e encontram Camila e Karina, o professor tem uma situação para discutir.

7 É válido o grupo ditar para o professor escrever?
Sim, desde que ele atue como se só soubesse as letras, ou seja, não deve agir como um escriba. Tem de ser simplesmente a mão que escreve o que os estudantes ditam, incluindo aí os espaços entre as palavras. Porém é importante observar que, se existirem alunos alfabéticos na sala, a atividade não funcionará. Facilmente eles darão conta do desafio sozinhos, ditando letras ao educador que os demais nem conhecem ainda.
Quer saber mais?
BIBLIOGRAFIA
Psicopedagogia da Linguagem Escrita, Ana Teberosky, 151 págs., Ed. Vozes, tel. (24) 2233-9000, 29 reais 

INTERNET 
Texto Situações de Leitura na Alfabetização Inicial: A Continuidade na Diversidade
, de Mirta Castedo. 
Texto Lectura de un Texto que se Sabe de Memória, de Mirta Castedo (em espanhol).



Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/alfabetizacao-inicial/sete-perguntas-como-usar-textos-memorizados-alfabetizacao-607999.shtml



DEDO MINDINHO
SEU VIZINHO
PAI DE TODOS
FURA BOLO
MATA PIOLHO





HOJE É DOMINGO
PEDE CACHIMBO
O CACHIMBO É DE OURO
BATE NO TOURO
O TOURO É VALENTE
ASSUSTA A GENTE
A GENTE É FRACO
CAI NO BURACO
O BURACO É FUNDO
ACABOU-SE O MUNDO





O DOCE PERGUNTOU PRO DOCE
QUAL É O DOCE MAIS DOCE
QUE O DOCE DE BATATA DOCE?
O DOCE RESPONDEU PRO DOCE
QUE O DOCE MAIS DOCE
QUE O DOCE DE BATATA DOCE
É O DOCE DE BATATA DOCE.





MEIO DIA
MACACA SOFIA
PANELA NO FOGO
E BARRIGA VAZIA





ERA UMA BRUXA À MEIA NOITE
EM UM CASTELO MAL ASSOMBRADO
COM UMA FACA NA MÃO
PASSANDO MANTEIGA NO PÃO.





 CORRE COTIA NA CASA DA TIA
CORRE CIPÓ NA CASA DA VÓ
LECINHO NA MÃO CAIU NO CHÃO
MOÇA BONITA DO MEU CORAÇÃO





terça-feira, 27 de janeiro de 2015

CADERNO DE TEXTO

















CARINHOS QUENTES

CERTA VEZ, EM UMA ÉPOCA MUITO ANTIGA, NUM LUGAR MUITO DISTANTE, EXISTIA UM REINO ENCANTADO. ERA UM REINO MUITO FELIZ.
NAQUELE REINO, QUANDO AS PESSOAS NASCIAM , RECEBIAM COMO PRESENTE DO REI , QUE ERA MUITO JUSTO E BONDOSO, UM SAQUINHO COM UMA POÇÃO MÁGICA; QUE ERA ELABORADA POR UMA DAS FADAS DO REINO. ESSA POÇÃO ERA UMA POÇÃO DE CARINHOS QUENTES.

ESSES CARINHOS QUENTES DEVIAM SER USADOS ENTRE AS PESSOAS. SÓ FUNCIONAVAM QUANDO ERAM DOADOS ENTRE AMIGOS. ASSIM, TODOS OS DIAS, AS PESSOAS DA CIDADE SE ENCONTRAVAM EM UMAS DAS MUITAS PRAÇAS PARA TROCAR CARINHOS QUENTES.
FUNCIONAVA MAIS OU MENOS ASSIM; UMA PESSOA QUE PRECISAVA DE CARINHOS QUENTES PERGUNTAVA A OUTRA : "VOCÊ ME DÁ UM POUCO DE SEUS CARINHOS QUENTES ?" E A OUTRA RESPONDIA : "MAS É CLARO !!" E ESPARRAMAVA UM POUCO DE SEUS CARINHOS QUENTES SOBRE A PESSOA NECESSITADA. E ASSIM O REINO VIVIA CADA VEZ MAIS FELIZ E HARMONIOSO.

MAS É CLARO, QUE COMO EM TODA HISTÓRIA DE REINO ENCANTADO, SE EXISTE UMA FADA, EXISTE TAMBÉM UMA BRUXA.
A BRUXA DESSE REINO MORAVA SOLITÁRIA NO ALTO DE UMA COLINA E TODOS OS DIAS OBSERVAVA QUE O REINO ESTAVA CADA VEZ MAIS CONTENTE. ENTRETANTO, COMO TODA BRUXA MALVADA E MESQUINHA, ELA NÃO GOSTOU NEM UM POUCO DAQUILO. OLHOU EM SEUS LIVROS ANTIGOS E LANÇOU UM FEITIÇO SOBRE O REINO. UM NÃO, VÁRIOS, CENTENAS, MILHARES E NADA FEZ EFEITO. CHEGOU ATÉ A FAZER FACULDADE DE BRUXARIA NA UNIVERSIDADE LOCAL E NADA.

ENTÃO CERTO DIA ELA TEVE A BRILHANTE IDÉIA DE FANTASIAR-SE DE FADA E IR ATÉ AS RUAS DO REINO. CHEGANDO LÁ, A BRUXA, PRA SEU PRÓPRIO DESESPERO, ENCONTROU CRIANÇAS SAINDO DA ESCOLA E TROCANDO CARINHOS QUENTES. DAÍ ELA FALOU PARA TODAS OUVIREM: "O QUE É QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO? DESPERDIÇANDO CARINHOS QUENTES? SE EU FOSSE VOCÊS NÃO FARIAM ISSO, ECONOMIZEM, PRA QUANDO CHEGAR A MINHA IDADE, PODEREM TER UM MONTE." FOI AQUELE BAFAFÁ !

AS CRIANÇAS CHEGARAM EM CASA E CONTARAM AO PAIS E A NOTÍCIA SE ESPALHOU. NO OUTRO DIA NINGUÉM MAIS TROCOU CARINHOS QUENTES E UMA NUVEM DE POEIRA SE ESPALHOU PELO REINO. AS ÁRVORES COMEÇARAM A MORRER E JÁ NÃO SE OUVIA MAIS O CANTO DOS PÁSSAROS. AS PESSOAS COMEÇARAM A FICAR FRACAS E ALGUMAS ATÉ A QUASE MORREREM.

DE REPENTE, UMA PESSOA QUE ESTAVA FRACA PENSOU : "BOM, E AGORA ?O QUE É QUE EU VOU FAZER COM ESSE RESTINHO DE CARINHOS QUENTES QUE ME SOBROU?" DAÍ ELA RASPOU O FUNDO DO SAQUINHO E O DEU PARA SEU MELHOR AMIGO. NAQUELE MOMENTO O CÉU SE ABRIU, AS ÁRVORES FICARAM VERDES E OS PÁSSAROS COMEÇARAM A CANTAR. DO SAQUINHO VAZIO, TRANSBORDARAM CARINHOS QUENTES E TUDO VOLTOU COMO ERA ANTES OU ATÉ MELHOR !!

MAS O REI, QUE NÃO HAVIA GOSTADO NEM UM POUCO DE TODA ESSA CONFUSÃO, PEDIU QUE A FADA ELABORASSE UM ENCANTO PARA QUE NÃO HOUVESSE MAIS O PERIGO DE A BRUXA IMPEDIR QUE AS PESSOAS DOASSEM SEUS CARINHOS QUENTES. A FADA ENTÃO, LANÇOU UM ENCANTO QUE COMEÇARIA A EXISTIR ETERNAMENTE A PARTIR DAQUELAS GERAÇÕES : O SAQUINHO NÃO VIRIA MAIS PENDURADO NO PESCOÇO, VIRIA DENTRO DO PEITO E MAIS TARDE FICARIA CONHECIDO COMO CORAÇÃO !

TUDO O QUE EU REALMENTE PRECISAVA SABER


TUDO O QUE EU REALMENTE PRECISAVA SABER,
EU APRENDI NA PRÉ-ESCOLA


A maior parte do que eu realmente precisava saber sobre como viver e o que fazer e como ser, eu aprendi na Pré-Escola. Na verdade, a sabedoria não está lá, no alto do morro da Faculdade, mas sim bem ali, na caixa de areia da escolinha.

As coisas que aprendi foram estas: reparta as coisas, jogue limpo, não bata nos outros, ponha as coisas de volta onde você as encontrou, limpe a bagunça que fez, não pegue coisas que não são suas, diga que você sente muito quando machucou alguém, lave as mãos antes de comer, aperte a descarga, biscoitos com leite quentinho faz bem, viva uma vida equilibrada, aprenda um pouco e pense pouco, e desenhe, e pinte, e cante, e brinque, e trabalhe um pouco... todos os dias. Tire um cochilo todas as tardes; quando você sair por aí, preste atenção no trânsito e caminhe, de mãos dadas junto com os outros. Observe os milagres que acontecem ao seu redor. Lembre-se do feijãozinho no algodão molhado, no copinho plástico. As raízes crescem para baixo e a plantinha para cima e ninguém realmente sabe como e porque, mas todos nós somos assim. Peixinhos dourados e porquinhos da Índia, e ratinhos brancos, e mesmo o feijãozinho no copinho plástico – todos morrem. Nós também. E lembre do livro Joãozinho e Maria e a primeira palavra que você aprendeu sem perceber. A maior palavra de todos: OLHE!!! Tudo o que você precisa mesmo saber esta aí, em algum lugar. As regras do convívio humano, o amor os princípios de higiene, ecologia, política e saúde.

Pense como o mundo seria melhor se todos – todo mundo – na hora do lanche, tomasse um copo de leite com biscoitos e depois pegasse o seu cobertorzinho e tirasse uma soneca. Ou se tivéssemos uma regra básica, na nossa Nação e em todas as Nações, de pôr as coisas de volta nos lugares onde as encontramos e de limpar a nossa própria bagunça. E será sempre verdade, não importa quantos anos você tenha, se você sair por aí, pelo mundo afora, o melhor mesmo é poder dar as mãos aos outros, e caminhar sempre juntos.



Robert Fulghum – Tradução Livre de Ernesto